quarta-feira, 1 de junho de 2016

DIFERENTE.

Somos diferentes do Japão, da Coreia, da Tailândia, etc...
Lá, nos três países que menciono, terremotos, Tsunamis, guerra e destruição avassaladoras, volta e meia, aniquilam cidades inteiras, catástrofes que chocam o mundo todo. Mas, eles, com uma determinação invejável, reconstroem tudo, outra vez, em tempo recorde, de um jeito que nos faz afirmar:
- Estranho, está tudo no lugar, novamente. Nem parece que a pouco tempo atrás, tudo estava destruído.
A Coreia em duas décadas conseguiu sair de uma condição paupérrima da sua economia, investindo pesado na educação das suas crianças, dando ao mundo um exemplo incontestável de como se pode reverter um processo de subdesenvolvimento acentuado, para um salto direto para o primeiro mundo.
O Japão, reconstruído incontáveis vezes, sempre se ergue à partir do instante seguinte às tragédias que o acomete. Eles não se lamentam, ao contrário, arregaçam as mangas e seguem em frente.
A Tailândia, mesma coisa!
Já no Brasil, tudo que assistimos é esse espetáculo fúnebre de chorar sobre um morto vivo, ainda. Temos uma mentalidade estranha. Chamamos um mero "pum de porco" de torresmo e o acolhemos como alimento, fosse. Preferimos decompor, destruir, desacreditar, depreciar a nos unirmos em torno de um projeto de nação livre, soberana, robusta e respeitada, justamente porque, tudo aqui, é feito na base do quem pode mais, chora menos.
Unidade, não há!
Somos um país continente esquartejado e repartido entre grupelhos mesquinhos, insanos, débeis. Tribos, clãs, ajuntadinhos, turminhas.... Cada um, voltado para o seu próprio umbigo. Rouba-se a verba da merenda escolar, da saúde pública, da educação, do transporte público...
Nos últimos meses, assistimos assoberbados a maior demonstração da fragmentação cirúrgica que nossa Pátria pode sofrer. Somos reféns dos podres poderes de uma Gangue de psicopatas daninhos, mascarados, arrogantes e demolidores. Lobos em pele de cordeiro. Magnatas das igrejas. Imperadores do capital especulativo. Reis do tráfico. Soberanos da moral e da ética, das quais se percebe, serem eles, tão desprovidos.
Usurpadores do poder político.
"O leão, rei dos animais, pode ser abatido por um minúsculo verme, instalado nas suas entranhas". E N D vol I.
É o Brasil o grande leão adoecido, agonizante, quase morto. Traz em meio às suas vísceras um pequenino verme.
Seu nome?
Corrupção!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

COITADO.

Coitado vem de coito. A expressão banalizou-se e quase ninguém percebe o que diz ao exclamar: "Coitado".
Coito é um ato sexual.
Houve um tempo em que os poderosos, ditadores, imperadores, reis e tiranos usurpadores do poder, submetiam famílias inteiras ao coito anal em praça pública, com o objetivo insano de demonstrar a esses, quem é que manda.
Nessa madrugada, a história se repetiu. Dezenas de séculos após a sua prática ter sido abandonada, eis que, se reedita.
A sociedade brasileira, abobalhada, passiva e impotente, acaba de sofrer um estupro coletivo e a céu aberto.
Violência explícita, pública e vexatória, que a todos nós, humilha, insulta, fere de morte e desencanta.
Tiranos, conspiradores, os mesmos de sempre, reprisam, para o nosso total dissabor aflito, as práticas daquela longínqua época de agressão cruel contra o povo.
Coitado de nós.
Coitado do povo.
Fomos todos estuprados!
Porém, "Toda doença só existe para nos mostrar o caminho" e, se permitimos que o tifo prosperasse no seio da sociedade brasileira, mais especificamente no meio político da nação, que esse coito anal, não seja recebido com passividade, tolerância ou conformismo. Nada de: "relaxar e gozar", isso é coisa de gente covarde. Lembremos da máxima: Se tifo der, Tifo deu...
Temos que reagir, erguemos as nossas cabeças e denunciarmos aos quatro ventos a torpe, infame violência que acabamos de sofrer. Não vamos nos comportar como muitas mulheres, meninas e meninos que ao serem estupradas ou sofrerem violência doméstica, vitimas de pedofilia, espancamento físico e moral, que, por vergonha, acanhamento ou, sei lá o que, deixam de denunciar às autoridades, seus agressores.
Não existe honra no silêncio omisso.
Temos que reagir. Temos que "botar a boca no trombone".
É hora de fazer ser vista e ouvida a nossa indignação.



Basta!

domingo, 8 de maio de 2016

OLHAR PARA O CAMPO.

No passado, tinha as minhas sementes em seus invólucros, ainda. 
No presente, a colheita já quase é finda.
Então, olhar para onde o futuro termina, me assombra, entristece e acanha.
Eu ainda não sofro das dores da velhice.
Ainda sou nos campos do meu cultivo, a buscar completar a colheita daquilo que plantei, eu. Triste vou quando, nas mãos, trago bagas, espigas, vagens e grãos apodrecidos pelo excesso de umidade, fungos ou brocas.
Meu olhar ao largo das minhas terras de cultivo, não consegue deitar visão sem chorar.
Ah, quanto eu desejei merecer melhor ventura....
Pensei, desejei alcançar altos patamares, outros.
Mas, falhei!

domingo, 1 de maio de 2016

PERNA AMPUTADA

A paciente, dá entrada na emergência do hospital com um corte profundo na perna. Houvera sofrido um acidente de automóvel e teve as suas pernas presas às ferragens. O ferimento era grave, porém, estava longe de ser letal. 
A emergência encaminhou a paciente para a cirurgia e lá, dado ao odor forte exalado na sala, o cirurgião, afobado, imaginou tratar-se de gangrena e decide amputar a perna da infeliz mulher. Logo a perna, de fundamental importância na locomoção e da própria vaidade de toda mulher.
Uma comissão de médicos e especialistas se reúnem para saberem o que fazer. Só que a maioria deles, eram avessos a odores fortes. Tinham horror a este.
Alguns diziam:
- É gangrena! Vamos amputar.
Outros, ao contrário, afirmavam:
- O odor não é do ferimento e sim dos pés. A perna em questão não está necrosada. Não pode ser gangrena!
Entretanto, a equipe médica precisava ganhar tempo e, amputação, seria a solução ideal para que o tempo fosse poupado.
O tempo e não um membro de uma paciente...
Eles ainda estão deliberando.
O odor à medida que o tempo passa, se acentua. Este que é proveniente do sangue acumulado dentro do tênis da acidentada que, durante horas, teve que aguardar no local do acidente, até que a equipe de socorro a removesse, com segurança, para levá-la para o hospital.
Fede, mas não passa de uma consequência direta do próprio acidente. Chulé e unha encravada podem decretar a perda da perna desse senhora. A imperícia afobada dos médicos, nunca será perdoada quando e se consumada for a amputação.
Os que são a favor, estão em maior número.
Quem é contra, luta para o convencimento dos demais.
Afinal, o membro a ser decepado, nunca mais, poderá ser reimplantado, tão pouco, esquecido, nem pelos prós, nem pelos contra e principalmente, pela paciente, seus familiares, etc.
Que falta faz gente qualificada, séria, nos postos de tanta responsabilidade que ocupam.
Profissionalismo, perícia, cuidado, atenção, pra que?
A perna e do outro mesmo...
Delta do Amazonas.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

LI GOSTEI E DOU DE GRAÇA;

Em O Expectador de uma Tragicomédia (De tanto esperar nasceu a esperança).
"O ser humano encontra-se em amarras auto infligidas por toda a parte. Tal é a fraqueza humana: temos frequentemente de nos curvar perante a força, somos obrigados a contemporizar, não podemos ser sempre os mais fortes. Não nos espantamos nem lamentamos, mas com paciência esperamos que o futuro traga dias mais felizes.
É justo amarmos a virtude, estimarmos as boas ações, ficarmos gratos aos que fazem o bem. Entretanto, é estranho que dois, três ou quatro se deixem esmagar por um só, mas é possível; poderão dar a desculpa de lhes ter faltado o ânimo. Mas quando vemos cem ou mil submissos a um só, não podemos dizer que não querem ou que não se atrevem a desafiá-lo.
Ora todos os vícios têm naturalmente um limite além do qual não podem passar. Dois podem ter medo de um, ou até mesmo dez; mas se mil homens, se um milhão deles, se mil cidades não se defendem de um só, não pode ser por covardia. Que vício monstruoso então é este que sequer merece o nome vil de covardia?
Quantos prodígios temos ouvido contar sobre a valentia que a liberdade põe no coração dos que a defendem! Ora o mais espantoso é sabermos que nem sequer é preciso combater esses tiranos, não é preciso defendermo-nos deles. Ele será destruído no dia em que se recuse a servi-lo. Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma.
Não é preciso que o ser humano faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio. São, pois, os povos que se deixam oprimir, que tudo fazem para serem esmagados, pois deixariam de ser no dia em que deixassem de servir. É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios.
Que mais é preciso para possuir a liberdade do que simplesmente desejá-la? Como pode alguém, por falta de querer, perder um bem que deveria ser resgatado a preço de sangue? Um bem que, uma vez perdido, torna, para as pessoas honradas, a vida aborrecida e a morte salutar? Veja-se como, ateado por pequena fagulha, acende-se o fogo, que cresce cada vez mais e, quanto mais lenha encontra, tanta mais consome; e como, sem se lhe despejar água, deixando apenas de lhe fornecer lenha a consumir, a si próprio se consome, perde a forma e deixa de ser fogo.
Assim são os tiranos: quanto mais eles roubam, saqueiam, exigem, quanto mais arruínam e destroem, quanto mais se lhes der e mais serviços se lhes prestarem, mais eles se fortalecem e se robustecem até aniquilarem e destruírem tudo. Se nada se lhes der, se não se lhe obedecer, eles, sem ser preciso luta ou combate, acabarão por ficar nus, pobres e sem nada; da mesma forma que a raiz, sem umidade e alimento, se torna ramo seco e morto.
Então, esse desejo, essa vontade, são comuns aos sábios e aos indiscretos, aos corajosos e aos covardes; todos eles, ao atingirem o desejado, ficam felizes e contentes.
Esses que tanto vos humilha tem só dois olhos e duas mãos, tem um só corpo e nada possui que o mais ínfimo entre os ínfimos habitantes do mundo não possua também; uma só coisa ele tem mais do que vós e é o poder de vos destruir, poder que vós lhe concedestes.
Onde iria a tirania buscar os olhos com que vos espia se vós não lhes désseis? Onde teria mãos para vos bater se não tivesse as vossas? Os pés com que esmaga as vossas moradias de quem são senão vossos? Que poder tem sobre vós que de vós não venha? Como ousaria perseguir-vos sem a vossa própria conivência? Que poderia fazer se vós não fôsseis encobridores daquele que vos rouba, cúmplices do assassino que vos mata e traidores de vós mesmos?
Matai-vos a trabalhar para que a tirania possa regalar-se e refestelar-se em prazeres vis e imundos. Enquanto vós definhais, ele vai ficando mais forte, para mais facilmente poder refrear-vos. E de todas as ditas indignidades que os próprios brutos, se as sentissem, não suportariam, de todas podeis libertar-vos, se tentardes não digo libertar-vos, mas apenas querer fazê-lo.
Tomai a resolução de não mais servirdes e sereis livres. Não vos peço que o empurreis ou o derrubeis, mas somente que o não apoieis: não tardareis a ver como, qual Colosso descomunal, a que se tire a base, cairá por terra e se quebrará."
Em: Discurso Sobre a Servidão Voluntária, Étienne de La Boétie, 1549.